"A renda é dinheiro atirado à rua." Esta é, possivelmente, o mito mais aceite pela sociedade em Portugal. Fazer um Crédito Habitação a 40 anos sem entender a matemática real dos juros significa enriquecer o banco, e não a si mesmo.
O Custo Invisível de Comprar (Dono)
Quando paga 800€ de prestação no crédito, uma fatia considerável vai apenas para o pagamento de juros ao banco e seguros obrigatórios (vida e multirriscos). Além disso, ser o proprietário significa que o IMI, as comissões, as taxas de escritura e o IMT (milhares de euros a fundo perdido no dia 1), bem como a manutenção ou obras estruturais do prédio (condomínio), são custo seu. Estes são "custos invisíveis e irrecuperáveis".
Quando o Arrendamento Faz Sentido
Arrendar não é atirar dinheiro ao lixo, é comprar flexibilidade e liquidez. Se é jovem, a sua carreira exige que aceite propostas de trabalho em Lisboa, Porto ou no estrangeiro, ou se não tem 20% do valor (entrada + impostos) para capital próprio: deve arrendar. O arrendamento liberta-o de uma âncora geográfica e do risco brutal de subida das taxas Euribor sobre dívidas astronómicas.
A Matemática da Diferença
Se o custo total mensal de ter casa (Prestação + Seguros + IMI médio + Condomínio + Fundo de obras) é de 1.100€, e arrendar no mesmo bairro custa 850€... A jogada financeira para o património é arrendar e investir obrigatoriamente a diferença de 250€ mensalmente no mercado bolsista. Arrendar apenas para gastar o resto em consumo é, de facto, perder dinheiro. Arrendar para investir a diferença de forma regrada cria milionários.